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Metodologias ativas

  • Foto do escritor: Weider A. C. Santos
    Weider A. C. Santos
  • 1 de ago. de 2018
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2018

Vc já ouviu falar em metodologias ativas? É provável que sim. Mas, já parou para pensar que tal abordagem não é nova? É isso. Vamos conversar um pouco sobre metodologias ativas.


Fonte: http://digitallearning.eletsonline.com

Desde o século XVIII o ensino se pauta em metodologias conservadoras (ou tradicionais) sob forte influência do método cartesiano-newtoniano (MITRE et. al., 2008). O saber, nessa perspectiva, é avaliado pela capacidade de memorização e reprodução daquilo que se é ensinado. A produção de conhecimento e as estruturas formais de educação, se baseiam na eficiência técnica, na departamentalização dos saberes (especialidades) e na fragmentação do conhecimento, dividindo-o por áreas, cursos, disciplinas, períodos, séries (BEHRENS e OLIARI, 2007). Ademais, o paradigma se estabelece na ideia do docente transmissor de conteúdos, "ao passo que, ao discente, cabe a retenção e repetição dos mesmos - em atitude passiva e receptiva (ou reprodutora)" (MITRE et. al., 2008, p. 2134).


Fonte: http://channelfrederator.frederator.com/

A partir do final do século XIX e início do século XX, abordagens pedagógicas progressivas como a escola experimental ou ativa de John Dewey (1859-1952) se opuseram à formação estritamente transmissiva, propondo uma nova escola a partir da experiência. Além disso, valorizavam a prática, o learning by doing, ou aprender fazendo, e o papel social da educação.


A experiência é o ambiente de problematização, união entre teoria e prática, reconstrução e reorganização da vida social. Também é característica da experiência a continuidade e interação entre quem aprende e o que é aprendido (DEWEY, 1952). Esse processo se efetiva quando atividades concretas, contextualizadas ao tema de estudo e o meio social ocupam os espaços de aprendizagem.


O pragmatismo deweyano define a educação como reflexão sobre a experiência dos homens no mundo real (CUNHA, 2001). Por esse ângulo, a filosofia serve ao homem como norte do agir e modo de busca contínuo, na medida em que o movimento provoca mudanças desde a construção prática do meio ao seu redor. Para Dewey (1959, p. 148), esse movimento faz sentido "quando os pesquisadores rompem os limites de suas especializações e entram em franca cooperação com outras ocupações sociais, e se mostram sensíveis aos problemas de seus semelhantes [...]". A partir disto, a visão mecânica, dicotômica, estratificada e, por conseguinte, excludente de educação, é substituída pela vida, a reconstrução contínua da experiência.


Em suma, a escola deve ser o locus de inquérito e reconstrução social, nem à mercê das ciências, nem do estado atual da sociedade, mas na incessante revisão da ordem social. O ambiente educativo, neste âmbito, se transforma desde o estreito intercâmbio da ciência com a filosofia, o que rompe com a visão, por vezes, dualista de conhecimento científico (CUNHA, 2001).


Fonte: YouTube. Quando sinto que já sei. Disponível em: < https://goo.gl/jfhxG5 >. Acessado em 4 ago. 2018.


Elementos do pragmatismo deweyano tais como interação, problematização, papel social da escola e valorização do aprendente, dão significância ao que Valente (2018, p. 27) declara por metodologias ativas como sendo práticas pedagógicas que "colocam o foco do processo de ensino e de aprendizagem no aprendiz, envolvendo-o na aprendizagem por descoberta, investigação ou resolução de problemas".


Valente (2018) acrescenta que o cenário educativo está propício às metodologias ativas, uma vez que o acesso em grande medida da informação é possível por meios digitais, facilitado pelas tecnologias do presente. E isso tem favorecido às pedagogias alternativas, ao passo que coloca em questão, essencialmente, a função do professor como transmissor da informação.


Para Beetham e Sharpe (2013), se faz necessário, na atual conjuntura, interceptar espaço, pedagogia e tecnologia, a fim de estabelecer uma aprendizagem ativa a partir da realidade desta sociedade em rede. Diante disto, caberá aos docentes não apenas o conhecimento pedagógico do conteúdo, mas o tecnológico e pedagógico (BACICH, 2018).


Por ora, é isto.

Bom proveito!



REFERÊNCIAS:

BACICH, Lilian; MORAN, José (orgs.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.

BEETHAM, H.; SHARPE, R. Rethinking pedagogy for a digital age: designing for 21st century learning. New York: Routleedge, 2013.

BEHRENS, Marilda Aparecida; OLIARI, Anadir L. T. A evolução dos paradigmas na educação: do pensamento científico tradicional a complexidade. Diálogo Educacional, v. 7, n. 22, p. 53-66, set./dez. 2007.

Blog Lilian Bacich. Metodologias ativas: desafios e possibilidades. Não paginado. Disponível em: <https://lilianbacich-wordpress-com.cdn.ampproject.org/c/s/lilianbacich.wordpress.com/2018/07/24/metodologias-ativas/amp/>. Acessado em 2 ago. 2018.

DEWEY, John. Experience and education. Nova York: The Macmillan Company, 1952.

DEWEY, John. Reconstrução em filosofia. São Paulo: Nacional, 1959.

MITRE, Sandra Minardi; BATISTA, Rodrigo S.; MENDONÇA, José Márcio G.; PINTO, Neila M. M.; MEIRELLES, Cynthia A. B.; PORTO; Cláudia P.; MOREIRA, T. HOFFMANN, L. M. A. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciência & Saúde Coletiva, 13 (Sup 2): 2133-2144, 2008.

Nova Escola. John Dewey, o pensador que pôs a prática em foco. Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/1711/john-dewey-o-pensador-que-pos-a-pratica-em-foco>. Acessado em 1 ago. 2018.

VALENTE, José Armando. A sala de aula invertida e a possibilidade do ensino personalizado: uma experiência com a graduação em midialogia. In: BACICH, Lilian; MORAN, José (orgs.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 26-44.

WESTBROOK, Robert B.; TEIXEIRA, Anísio. John Dewey. Recife: Massangana, 2010.


1 comentário


Fernando Pimentel
Fernando Pimentel
07 de ago. de 2018

Parabéns pelo dinamismo do blog... mas me senti perdido, sem um norte, sem um direcionamento.


Lembre-se que seu blog é seu portfólio virtual da disciplina e de seu aprendizado. Mantenha ele atualizado com suas leituras, experiências, descobertas, estudos...


E não esqueça de visitar e comentar os blogs dos colegas! O aprendizado em rede, colaborativo.


Em seu blog senti dificuldades de encontrar o local dos comentários... e estar logado também complica um pouco. Vamos refletir sobre isso?

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